Publicaciones

Bol. R. Soc. Esp. Hist. Nat. 14, 2017


Representação de rochas graníticas em cartas geológicas de Portugal, do século XIX à atualidade: o exemplo dos granitoides pré-variscos da Região Centro / Representación de rocas graníticas en mapas geológicos de Portugal, del siglo XIX hasta la actualidad: el ejemplo de los granitoides pre-variscos de la Región Centro


Representation of granitic rock in geological maps of Portugal, since XIX century to the date: the example of the pre-Variscan granitoids of the Central Region

Elsa M.C. Gomes, Maria Manuela V.G. Silva, Mário Sequeira & Fernando Carlos Lopes

Bol. R. Soc. Esp. Hist. Nat. 14: 225-244, 2017

Resumen

A idade e a petrogénese das rochas graníticas de Portugal, especialmente do norte e centro, têm constituído temas de estudo e debate por vários grupos de geólogos, sobretudo nas últimas décadas do século XX. Inicialmente, foram consideradas como uma única intrusão, o que se refletiu nas Cartas Geológicas de Portugal, onde todos os granitoides foram representados com a mesma simbologia. Como reflexo do avanço nos métodos de datação radiométrica e no conhecimento geológico, dispõe-se, atualmente, de um leque de idades para as rochas granitoides do norte e centro de Portugal que vai do Neoproterozoico aos finais do Paleozoico. Como exemplos destes estudos, consideram-se as rochas de natureza granítica e gnaíssica que afloram, no centro de Portugal, na região entre Coimbra e Nisa, nas proximidades de dois acidentes tectónicos de primeira ordem: a zona de cisalhamento Porto- Tomar-Ferreira do Alentejo (ZCPTFA), e a zona de cisalhamento Tomar-Badajoz-Córdova (ZCTBC). Estas estruturas constituem fronteira entre duas zonas geotectónicas do Maciço Ibérico: a Zona Centro Ibérica (ZCI) e a Zona de Ossa Morena (ZOM). Este estudo teve como objetivo esboçar a evolução da representação destes corpos graníticos e gnaíssicos nas cartas geológicas de Portugal, às escalas 1:500.000 e 1:1.000.000, desde o século XIX até à atualidade, e confrontar essa representação com os avanços do conhecimento geológico. Nas cartas 1:1.000.000 os granitos e gnaisses são incluídos em grandes grupos, não sendo possível a distinção dos diferentes corpos, no que respeita à sua natureza e idade, existindo apenas alguma diferenciação para os gnaisses representados na edição de 2010. Nas cartas, à escala 1:500.000, essa diferenciação é conseguida, em especial nas edições de 1972 e 1992. A evolução da representação cartográfica e das respetivas legendas traduze os progressos na aplicação de métodos radiométricos de datação K-Ar e Rb-Sr, nos anos 80 e 90 do século XX, e U-Pb, nos primeiros anos do século XXI. Espelha, igualmente, os avanços nos trabalhos de petrografia e geoquímica, também determinantes na edição de inúmeras cartas geológicas de Portugal, à escala 1:50.000. De acordo com os dados disponíveis, estas rochas são evidência do magmatismo ocorrido em tempos neoproterozoico e câmbrico-ordovícico. Conclui-se da existência de desajustamentos significativos entre o conhecimento geológico recente e a representação destas rochas nas últimas edições da Carta Geológica de Portugal, justificando-se, assim, e, em especial, novas edições à escala 1:500.000.

Palabras clave: Cartas Geológicas de Portugal, granitoides, pré-varisco, Zona Centro Ibérica, Zona de Ossa Morena

Abstract

Age determination and the petrogenesis of the granitic rocks of Portugal, especially of the north and center, have been subjects of research and debate by groups of geologists, mainly in the last decades of the 20th century. First, they were considered as a single intrusion, which was reflected in the geological maps of Portugal, where all the granitoids were represented by the same symbol. Reflecting the advances in the methods of radiometric dating and in the geological knowledge, it is recognized today a range of ages to the granitoid rocks of northern and central Portugal going from the Neoproterozoic to the late Paleozoic times. As examples of these studies, we considered the granitic and gneissic rocks outcrop in the center of Portugal, in the region between Coimbra and Nisa, in the vicinity of two firstorder tectonic accidents: the Porto-Tomar-Ferreira do Alentejo shear zone (ZCPTFA) and the Tomar-Badajoz-Cordoba shear zone (ZCTBC). These structures represent a border between two geotectonic zones of the Iberian Massif: the Central Iberian Zone (ZCI) and the Ossa Morena Zone (ZOM). The aim of this study was to sketch the evolution of the representation of these granitic and gneissic bodies in the geological maps of Portugal, scales 1:500.000 and 1:1.000.000, from the nineteenth century to the present day, and compare this representation with the advances of geological knowledge. Granites and gneisses, in the geological maps at 1:1.000.000 scale, are included in large groups and it is not possible to distinguish the different bodies in respect to its nature and age, with only some differentiation for the gneisses represented in the 2010 edition. This distinction is achieved in the geological maps at 1:500.000 scale, especially, in the 1972 and 1992 editions. The evolution of the cartographic representation and maps legends reflect the advancement in the application of K-Ar and Rb-Sr radiometric methods of dating, in the eighties and nineties of the 20th century, and U-Pb dating in early years of the 21st century. It also points out the advances in petrography and geochemistry, which are also crucial to the edition of numerous geological maps of Portugal, at a scale of 1:50.000. According to the available data, these rocks represent evidence of magmatism during Neoproterozoic and Cambric-Ordovician times. It is concluded that there are significant mismatches between the recent geological knowledge and the representation of these rocks in the last editions of the geological maps of Portugal, thus justifying new maps editions, in particular, at a scale of 1:500.000.

Keywords: Geological Maps of Portugal, granitoids, pre-Variscan, Central Iberian Zone, Ossa Morena Zone





OTRAS PUBLICACIONES


Geodiversidad y Biodiversidad en el Parque Nacional de Cabañeros (Ciudad Real-Toledo): la Ruta del Boquerón del Estena

Septiembre de 2011 - Juan Carlos Gutiérrez-Marco, Isabel Rábano y Eduardo Barrón
XIX Bienal RSEHN-UCLM



Geología y paisaje de los Montes de Toledo centro-orientales

Septiembre 2011 - Miguel Ángel de San José, Rudolf Merten, Antonio Perejón, Elena Moreno-Eiris y Silvia Menéndez
XIX Bienal RSEHN - UCLM


(c) Real Sociedad Española de Historia Natural. Facultades de Biología y Geología. Universidad Complutense de Madrid. 28040-Madrid - e-mail: rsehno@bio.ucm.es